Há alguns meses, publiquei um post (aqui) sobre as razões das diferenças
entre a cobertura (ou falta dela) dispensada por Globo e Record aos
escândalos envolvendo o então presidente da Confederação
Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Só não pensei que as
diferenças continuassem tão gritantes mesmo depois da renúncia
daquele que muitos consideravam um monarca.
A
Reportagem levada na última segunda-feira (12) ao ar pelo Jornal
Nacional é quase uma última homenagem ao ex-presidente da CBF (aqui).
Enquanto, a Record, em seu principal telejornal praticamente soltou
fogos e reforçou o papel da emissora na queda de Teixeira (aqui).
O Jorna Nacional levou ao ar uma reportagem no modelo “de Bonner para Hommer” onde retrata Teixeira como o inventor do moderno futebol brasileiro. Trouxe patrocinadores para a seleção, que venceu 2 Copas do Mundo, 3 Copas das Federações e 5 Copas Américas.
Ter a
sorte de contar com jogadores como Romário, Ronaldo, Rivaldo e
Ronaldinho Gaúcho em suas melhores fases não conta? Será tão
difícil atrair investidores para uma marca vinculada a nomes como
Pelé, Garrincha e Rivelino, entre outros? Deve ter sido ele que
revelou esses gênios da bola.
Além
disso, segundo a Globo, Teixeira adotou o método de pontos corridos
que permitiu aos clubes planejarem melhor suas receitas. Atualmente,
os clubes são mais ricos, defende a reportagem do JN.
Até a
adoção da fórmula dos pontos corridos, o método de disputa do
Brasileirão mudava praticamente todos os anos. Quem acompanhava
futebol tinha que aprender a cada ano uma fórmula diferente de como
fariam para determinar quem seria o campeão do país. E o presidente
era quem? Não era eu, nem o Lula.
Só
adotaram os pontos corridos depois de muita insistência. Desde que me
entendo por gente os campeonatos europeus seguem o formato de pontos
corridos. O gênio Teixeira adotou o formato apenas em 2003. E os
clubes tornaram-se mais ricos, embora devam até as calças, porque a
economia melhorou. Provavelmente constam no currículo de Teixeira,
os cargos de Ministro da Fazenda e Presidente do Banco Central
também.
As
denúncias de corrupção envolvendo o antigo mandachuva do futebol
brasileiro eram de conhecimento público faz um certo tempo. A Globo
levou ao ar em 2001 um Globo Repórter especial com várias denúncias
de corrupção envolvendo Teixeira.
O
programa teria sido uma espécie de pressão já que os direitos de
transmissão dos jogos da seleção estavam próximos de serem
renovados. Segundo, o próprio Teixeira em entrevista à Revista
Piauí, a vingança foi marcar um Brasil x Argentina às 19h45,
abrangendo o horário de duas novelas e o Jornal Nacional, privando a
emissora de ganhar com anúncios publicitários no horário nobre. O
que não aconteceria caso o jogo fosse marcado às 21h45, horário
tradicional e que atende aos interesses comerciais da emissora.
As
reportagens veiculadas pela platinada, capazes de incomodar Teixeira
pararam por aí. E tudo continuou como antes. Até o ano fatídico de
2010. Quando a BBC publicou um programa com uma série de denúncias
sobre a FIFA com acusações de recebimento propina por vários
dirigentes de futebol. Entre eles estava Ricardo Teixeira. A Record resolveu
repercutir o caso e junto às denúncias da BBC adicionou
investigações próprias e antigas denúncias.
Alguns meses antes da série de reportagens sobre Ricardo Teixeira, a Record, turbinada,
segundo alguns, pela venda superfaturada de venda de horários na
madrugada para Igreja Universal; avançou sobre o Clube dos 13
para comprar os direitos de transmissão do campeonato brasileiro. Bpm lembrar que o proprietário da Record é
líder espiritual da Universal.
A Record
já havia derrotado a Globo na luta pelos direitos de transmissão do
Pan de 2010 e das Olimpíadas de 2012, e estava obrigando a TV dos
Marinho a pagar valores a cada dia maiores pelos direitos de
transmissão dos principais campeonatos de futebol devido à
concorrência, anteriormente inexistente.
O clube
dos 13, entidade criada em 1987 para criar uma liga nacional já que
a CBF não tinha condições financeiras de realizar o campeonato
naquele ano, é quem negociava os direitos de transmissão e
realizava a divisão do dinheiro. Era uma divisão draconiana com os
clubes menores e sem representação na entidade.
Mas a
nova divisão é ainda mais draconiana e foi feita sob medida para
enriquecer Flamengo e Corinthians, que ganharam da Globo um reforço
no caixa de R$ 20 milhões cada por terem convencido os demais clubes
para entrarem numa negociação que favorecia justamente a dupla
dinâmica. (aqui)
A ideia
de Teixeira para contornar a situação foi aparelhar a entidade, colocando como mandatário, o ex-presidente do Flamengo
Kleber Leite. Faltou combinar com os clubes. O vencedor foi Fábio
Koff.
Contudo, o Clube dos 13 implodiu, pois a Globo resolveu negociar separadamente com cada clube, ignorando a mediação da entidade. A licitação, vencida pela Rede TV (A Record se retirou da palhaçada), acabou esvaziada.
Contudo, o Clube dos 13 implodiu, pois a Globo resolveu negociar separadamente com cada clube, ignorando a mediação da entidade. A licitação, vencida pela Rede TV (A Record se retirou da palhaçada), acabou esvaziada.
Portanto,
a Record, embora tenha assumido o louvável papel de bater forte em
Ricardo Teixeira, talvez não o tenha feito apenas em defesa dos mais
elevados padrões jornalísticos. Tinha seus próprios interesses.
Por que não perseguiu o ex-presidente da CBF antes como já fazia,
por exemplo, Juca Kfouri?
Essa homenagem “póstuma” a Teixeira no Jornal Nacional é esquisita, já que ele não
mandaria mais em nada. Ou manda ainda? Talvez tenha boi na linha. O
ex-governador de São Paulo José Maria Marin é o novo presidente, e
é ligado à Teixeira.
O
jornalista Cosme Rímoli disse em entrevista à Record News na
última da última segunda-feira (12) que o sonho de Teixeira era deixar
como sucessor na CBF o chefão dos esportes na Globo, Marcelo Campos
Pinto. Será que ainda nutrem essa esperança?













